[Parte 2] Feedback! Qual a cara do bicho?

Até aqui já alinhamos pontos importantes, o que é feedback e a importância dele. Vamos refletir agora o que podemos aprender sobre dar feedback.

Bora lá?

Recapitulando

Se você quiser acompanhar a série, pode ver os links aqui:

  • [Parte 1] Feedback! Que bicho é esse?
  • [Parte 2] Feedback! Qual a cara do bicho? (Você está aqui!)
  • [Parte 3] Feedback! Como domar esse bicho?
  • [Parte 4] Feedback! Gatilhos de verdade – a dificuldade de ver
  • [Parte 5] Feedback! Gatilhos de relacionamento – O desafio de nos
  • [Parte 6] Feedback! Gatilhos de identidade – o desafio do eu
  • [Parte 7] Feedback! O bicho foi domado

Se você tiver alguma dúvida, pode comentar que eu respondo assim que der.

O que você pode aprender sobre dar feedback

Feedback é sobre evoluir. Quando você tiver ou quiser dar um feedback para uma pessoa, você precisa ter em mente que está criando uma oportunidade de evolução. Isso quer dizer que você **deve **criar uma oportunidade, não simplesmente lançar suas expectativas esperando que elas sejam atendidas para te satisfazer.

É crucial criar elaborar o feedback sobre uma ótica esclarecedora, eu já fiz um artigo sobre obviedade que esclarece que nem tudo que nós acreditamos estar claro, realmente faz sentido para outras pessoas.

Nesse artigo, vamos dar uma olhada em aspectos do feedback, que são características que devem ser consideradas para um bom feedback. Entender e conhecer essas dimensões ajuda a preparar um discurso mais coerente na hora de expor seus pensamentos.

As dez dimensões do feedback

Existem dez características que devem ser avaliadas quando houver a necessidade de transmitir um feedback, elas existem para nos oferecer uma visão mais abrangente do processo.

1 - Elaboração de um plano

A primeira dimensão trata de refletir sobre o que você vai dizer. Ela trata de criar uma linha de pensamento para o seu feedback, tendo em mente exemplos objetivos, propostas de solução, mas permitindo flexibilidade, porque quando se dá o feedback, é importante considerar os desejos e as necessidades do outro.

2 - Abordagem específica

Essa dimensão trata de fatos, não de suposições. Você tem clareza sobre o fato que levou você a dar aquele feedback? É importante ter mente os acontecimentos para que os exemplos sejam claros e específicos, trazendo clareza ao seu feedback.

3 - Foco em comportamentos

Feedback tem que ser sobre comportamentos, não personalidade. Fulano é teimoso. Isso é parte da personalidade dele, dar esse feedback não vai agregar nada. É importante ter em mente que o feedback se torna eficiente quando se trata comportamentos específicos, que podem ser mensurados e analisados.

4 - Escolha de hora e local

Uma coisa importante nessa dimensão é agilidade. Quando um fato acontece, a resposta a ele deve ser o mais ágil possível. Isso deve levar em consideração o local onde isso vai ocorrer, tendo em mente que críticas **nunca **devem ser feitas em público. Quando alguém realiza um trabalho o feedback deveria ser imediato.

5 - Feedback  equilibrado

Essa dimensão trata do equilíbrio. Tenha em mente que feedbacks corretivos e positivos devem ser dados em harmonia, tendo em mente que um não deve ser dado muitas vezes mais que o outro.  Não se preocupe se você não compreende ainda do que se tratam feedbacks corretivos ou positivos, vamos falar sobre isso mais pra frente, tenha em mente apenas que eles não devem sobrepor um ao outro.

6 - Feedback relevante

Essa dimensão trata principalmente da calma ao transmitir uma mensagem. Quando você estiver passando um feedback a outra pessoa, é importante manter a calma, sem perder a cabeça, nem cometer exageros. O aqui e agora são mais importantes do que qualquer outra coisa que tenha acontecido.

7 - Técnicas eficientes

Um feedback tem que ser direto, focado em questões essenciais, olho no olho. A pessoa que vai receber um feedback não quer ser enrolada, porque ela fica apreensiva, tensa esperando algo que ela não sabe o que é. Vá direto ao ponto.

8 - Estilo eficaz

Essa dimensão trata da sua jornada em dar um feedback, construindo uma abordagem pessoal ao oferecer um feedback, isso também inclui a prática de não oferecer conselhos a menos que a pessoa solicite.

9 - Descrição de sentimentos

Essa é uma dimensão que pode ser complicada para quem tem dificuldade em expressar seus sentimentos. Os sentimentos são uma expressão importante e impactante em um feedback. Eles devem ser considerados e adequados a sua mensagem.

10 - Capacidade de ouvir

Ouvir é importante e isso pode ser feito encorajando o outro com perguntas genéricas. Isso requer prática para estimular o outro a dizer o que ele pensa. Feedback não se trata apenas de falar, mas de entender o outro.

Essas são as dez dimensões do feedback. Elas existem para nos permitir entender as diversas características de um bom feedback, tendo em mente pontos que não costumamos dar atenção. Se você parar para refletir, vai perceber que não é muito bom em algumas áreas, enquanto é melhor em outras. Conhecer o propósito delas vai te permitir melhorar as áreas que você ainda não tem domínio, além de afiar as partes que já tem segurança.

Os tipos de feedback

Quando elaboramos um feedback ele pode se enquadrar em até quatro tipos, vamos dar uma olhada neles.

Feedback positivo

O principal propósito desse tipo é reforçar um comportamento que desejamos que se repita. É importante reforçar comportamentos para que eles não sejam perdidos com o tempo, se não houver um reforço, ele pode nunca mais tornar a acontecer.

Feedback corretivo

O propósito do corretivo é mudar um comportamento. Quando você identifica que algum comportamento tem a necessidade de ser diferente, você se vale de um feedback corretivo. Esse feedback tem que ser praticado, porque muitas pessoas acabam exagerando e oferecendo algo muito pior no lugar: feedback ofensivo.

Feedback insignificante

Existem feedbacks que são genéricos e vagos que quando a pessoa recebe, não sabe bem o que aquilo significa. As pessoas dão esse feedback esperando um resultado, mas a verdade é que quem recebe um feedback desse tipo, simplesmente não sabe o que fazer com isso, ou seja, não tem significado nenhum, é como se nem ao menos tivesse sido dado.

Feedback ofensivo

Esse feedback pode englobar todos os outros tipos. Quando você estiver dando um feedback, tem que tomar cuidado para não criar uma sensação de "estar sendo atacado" pela outra parte. Palavras forte, emoções exageradas, palavras ríspidas. Ofender alguém nunca é uma maneira de ajudar essa pessoa a crescer.

Entender os tipos de feedback ajuda a pensar em qual o propósito daquilo que estamos oferecendo. Você quer reforçar um comportamento? Quer estimular a mudança? Agora você entende onde direcionar seus esforços, criando um feedback que seja relevante para a outra parte.

A metáfora do balde

No livro "Preciso saber se estou indo bem"  o autor apresenta uma metáfora interessante: Cada pessoa tem um balde de feedback, um compartimento onde todo retorno que você recebe vai parar lá dentro. O problema é que esse balde, contém furos, que deixam esses feedbacks escorrerem, levando o balde com o tempo a ficar vazio. O que acontece é que o feedback é uma necessidade básica e isso implica em ter o balde num nível alto, específico para cada pessoa. É como ter fome, uma pessoa com fome tem as mais diversas reações negativas que impactam no seu dia-a-dia, mas quando alguém vai comer, a sensação de saciedade muda de pessoa para pessoa.

Entendendo a função do balde do feedback, podemos levantar a seguinte pergunta:

Você mantém o balde de feedback do seus colegas cheio?

Quando uma determinada pessoa tem seu balde vazio, ou esvaziando, o comportamento dela começa a mudar. Sua produtividade cai, seu humor vária, entre milhares de coisas que alguém pode externalizar. Quando o nível começa a cair, as pessoas apresentam mecanismos que podem ser identificados se você prestar atenção: Sabe aquela pergunta que a pessoa faz que já sabe a resposta? Esse é um bom exemplo, ela está claramente dizendo que precisa de atenção e se você perceber, pode fazer a manutenção no balde antes que o nível fique crítico.

É importante estar atento as pessoas que estão a sua volta, para ser capaz de identificar quando alguma delas tem um nível baixo de feedback. Esse pode ser o momento de encher o balde de alguém e reparar um momento difícil que essa pessoa logo viria a ter.

Relações profissionais e pessoais

Muito se fala sobre o feedback no âmbito profissional, mas raramente se escuta algo voltado para a sua vida pessoal. Eu acredito que muitas das ferramentas que podem ser utilizadas na empresa, podem e devem ser empregadas no dia-a-dia, contendo os devidos ajustes claro.

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que diferente do trabalho, as pessoas que estão na sua vida não tem uma obrigação de estar ali. Não existe uma CLT, um contrato, um empregador que a obrigue a ficar na sua vida. E não se engane, os parentes também não **tem ** que ficar na sua vida, eles ficam por consideração. Com isso em foco, você pode entender que a maneira como você se expressa tem que ser diferente. No trabalho você pode dizer para um colega que ele chegar atrasado atrapalha o time (Não, eu não acho que isso seja uma boa ideia), mas se você disser isso para a sua namorada, provavelmente vai ter problemas.

Nesse momento, você percebe a importância das dez dimensões. Vamos reformular esse feedback. Já estamos aplicando a primeira dimensão, planejando o que vamos falar, em seguida precisamos de um fato, ontem ela se atrasou uma hora para irmos no cinema e isso nos fez perder a sessão, vamos nos valer da hora e local também, o melhoro seria dar essa resposta no ATO do atraso, mas a sexta competência nos fala sobre calma e talvez isso não tenha sido possível naquele momento, então postergamos para o dia seguinte. A quita competência nos fala sobre equilíbrio, aqui cabe a reflexão, será que não estamos aplicando somente feedbacks corretivos? Isso pode gerar uma falta de efeito na nossa mensagem. A sétima e oitava dimensão nos falam sobre ser focado e nosso estilo de feedback, então não deveríamos divagar na hora de apresentar nosso ponto. A nona questão é essencial quando se trata de um feedback pessoal. Ela é muito importante nos feedbacks profissionais, mas quando se trata de uma relação pessoal, os sentimentos tem uma relevância muito grande e é através dessa dimensão que podemos criar um feedback relevante que gere impacto. No nosso exemplo, você pode esclarecer que quando ela se atrasa, fica parecendo que você não é importante pra ela, além de falar sobre como ficou chateado em perder a sessão de cinema. A décima dimensão também tem que ser ativamente usada nesse momento, pois você precisa entender o lado do outro, tomar cuidado para não virar uma discussão sem sentido, ou um duplo feedback( vamos ver isso mais pra frente na nossa série), mas tentar entender e compreender o lado de quem está recebendo o feedback.

Aqui vale uma observação. Como você deve ter visto, o feedback pessoal fez uso das dez dimensões, mudando apenas a forma como isso se expressa. Um bom feedback profissional também tem que explorar essas dimensões, isto torna ele relevante e efetivo.

O que aprendemos sobre dar feedback?

A primeira e segunda parte foram focadas em nos contextualizar sobre o feedback e apresentar ferramentas úteis para que sejamos capazes de oferecer um retorno para as pessoas a nossa volta. Aprendemos dimensões que nos mostraram diversas faces que devemos observar e analisar quando formos dar um feedback. Entendemos que todo mundo tem um balde de feedback, um compartimento onde guardamos nossos retornos e usamos ele para interagir com o mundo. Se temos um balde vazio, vamos ter uma resposta ruim para o mundo, seja com baixa produtividade, dificuldade em se relacionar ou baixa iniciativa. Quando temos um balde cheio, a resposta para o mundo é muito positiva, seja fazendo um trabalho produtivo, ou tomando iniciativas que não tomávamos antes. E claro, entendemos que o feedback é uma ferramenta que não se restringe apenas ao ambiente profissional, mas que cabe mundo bem nas relações pessoais, desde que façamos o bom uso das dez dimensões.

A partir do próximo post vamos começar a olhar o outro lado: O que precisamos saber para receber um feedback de forma efetiva? Vamos entender quais peças a nossa mente nos prega e como lidar com isso.

Duvidas? gostou? Me acha um idiota?

Comenta ai!!

Angeliski