FOMO 2.7 Opus Magnum Master
Mais rápido. Melhor. Mais ansiedade por muito menos esforço.

Eu escrevi esse texto em 2023 e conversando com um amigo, percebi que era hora de revisitar ele.
O mundo está acelerado. Mudanças ocorrem o tempo todo e isso cria, na nossa vida, uma sensação de perda muito forte.
Se você trabalha com tecnologia como eu, essa sensação deve ser ainda maior, por conta da velocidade com que as inovações chegam ao mercado. Todo dia é um modelo novo, uma técnica que faz os agentes melhores, um “você não pode perder isso!”.
Novas tecnologias, novas linguagens, novas formas de resolver os problemas (ou velhas formas com um nome novo mais legal). A última sem dúvidas nenhuma é AI.
O maior problema disso é que nós, como seres humanos, não gostamos de perder. Não gostamos de nos sentir por fora do assunto, ultrapassados, obsoletos. A sensação de estar para trás é muito amarga (lógico que isso pode variar de pessoa para pessoa).
E ainda pior: agora o mercado grita que quem “não aprender AI vai ficar para trás”. Tempos difíceis.

Vamos exemplificar isso: Pare agora mesmo e perceba quantas abas abertas você tem “esperando para ler depois”. Ou se você for mais organizado, quantos links diferentes você “salvou para ler mais tarde”. Quantos posts, tweets, publicações você salvou para ler depois? Tudo isso porque você não quer perder nada. Você não pode perder nada.
E se aquele post tiver um insight que vai resolver tudo?
E se aquele tweet te der uma dica de ouro?
E se aquela conexão for a que vai te trazer aquele emprego tão sonhado?
E se esse for o Agentic Workflow que vai mudar o jogo?
O excesso de oportunidades nada mais é do que caos. Nós acreditamos que cada uma dessas coisas pode mudar a nossa vida e isso nos faz querer não as perder. Não me entenda mal, talvez alguma delas possam mudar a sua vida, mas, na prática, 99% delas não vai fazer tanta diferença assim.
“Mas Rogerio, qual é o problema de tentar acompanhar as novidades?”
Nenhum. Mas eu quero que você faça um exercício comigo.
Imagine que você vai apostar corrida com um carro. Não existe problema nenhum em correr contra um carro. O problema é você acreditar que pode vencer esse carro.

Consciência é uma palavra que eu gosto muito e é isso que eu quero te trazer aqui. FOMO é uma coisa que desenvolvemos pela maneira como o mundo atual se construiu. A ansiedade de não perder nada devora a nossa paz. O mundo grita por “mais produtividade” e “entregar mais com menos” e nós só queremos entender como fazer isso.
“Entendi Rogerio, então o que fazer agora?”
Primeiro, eu quero deixar claro que eu não trago respostas, parte de quem eu sou tem a ver com questionar as coisas. Eu quero trazer reflexões que uso para lidar com a minha ansiedade de não perder nada. Outras pessoas podem ter outros jeitos ou até discordar das minhas reflexões. Tá tudo bem, eu não quero estar certo, eu quero estar bem.

#1 - Isso é interessante?
É bem comum receber aquele link com um título extremamente interessante, mas o conteúdo nem sempre é. Esse texto mesmo pode até ser o caso para você. Ao recebê-lo parece algo promissor, mas quando começar a ler você se decepciona (espero que não seja o caso).
Aquela talk sobre agentes avançados que é só o moço usando chatgpt.
Aquele artigo sobre técnicas de prompting que não fala nada com nada.
Mas como saber, não da para só confiar?
O que eu faço é bem simples, antes de começar a ler algum texto eu procuro praticar uma técnica conhecida como Skimming (Deslizar os olhos?).
A ideia é deslizar os olhos pelo texto e captar as ideias sem muita profundidade, apenas para ter uma ideia geral. Isso me permite decidir se vale a pena separar um tempo para ler aquilo ou não. Vou deixar um link no final sobre algumas técnicas de leitura, mas eu faço isso com outras coisas também como vídeos, livros, cursos e qualquer outro assunto.
Agora em 2025, tem outra coisa que eu faço: Resumir no https://notebooklm.google/

Muitas vezes o conteúdo raso, combinado com alguns conteúdos profundos, tem um resultado interessante. Com a ajuda do NotebookLM eu consigo juntar as coisas e ter uma interface onde eu posso perguntar, ouvir e gerar coisas mais iterativas que aprofundam meu aprendizado. Mas você deve se perguntar, como eu escolho o que vale a pena levar para lá?
#2 - O que eu vou ganhar com isso?
Eu tenho bastante interesse em ganhar alguma coisa com as coisas que eu faço. Ler esse texto vai me ajudar em algo? Esse é um assunto que vai me tornar um profissional melhor? Uma pessoa melhor? Vou me divertir?
Entenda bem, o valor aqui é muito relativo para cada um, algumas pessoas prezam valor financeiro, outras intelectuais, mas cada uma tem algo que gosta de ganhar mais. Investir seu tempo em coisas que não te fazem ganhar nada só porque muita gente está falando disso (alô hype) é bobagem.
Vou dar um exemplo bem simples da minha vida: React Machine Learning.
É um assunto que eu não invisto meu tempo, pois não é uma ferramenta que vai me enriquecer como profissional (não é o foco da minha carreira, isso não tem a ver com a ferramenta em si), não é um assunto que eu acho divertido, mas tem muita gente falando disso.
Percebe como eu não ganho nada com isso?
Perceba que em 2025, Data Science e seus amigos estão em alta. Isso não significa que eu preciso gastar minha energia em aprender isso, existem outras coisas que podem me agregar mais (sejam relacionadas ou não). E tudo bem se isso mudar, lá em 2023 React era a minha “Não preciso estudar isso”. Hoje eu trabalho escrevendo código React, o que obviamente mudou a perspectiva.
#3 - Comecei sim, terminar é outra história
Você já deve ter ouvido aquela história de “menos iniciativa, mais acabativa” e, apesar de isso ser produtivo, tem um grande problema.
Se eu só puder iniciar uma coisa quando acabar outra, eu vou enlouquecer.

Não me entenda mal, o foco em uma coisa apenas é extremamente importante e eu uso isso em 80% do meu tempo.
O que acontece é que eu uso esses outros 20% para fazer experimentos. Começar um livro, um projeto, um artigo, um jogo, qualquer coisa que eu possa simplesmente abandonar sem compromisso nenhum, sem culpa (Sim, eu tô olhando para vocês cursos da Udemy) (2025, os cursos da Udemy continuam lá).
#4 - Perdão
Já faz 200 mil anos desde que a pandemia começou e de lá pparacá eu tive a oportunidade de aprender a perdoar uma pessoa importante: Eu.
Aquela task de 1 hora que durou uma semana. Aquele livro que coloquei na meta do semestre e nem abri. Aquele curso que comprei e só assisti o primeiro módulo. Tudo isso e muito mais tá perdoado.

Não me entenda errado, eu ainda quero fazer essas coisas: ser produtivo, aprender mais e muitas outras coisas que necessitam esforço. Mas se eu não conseguir, tá tudo bem.
O quanto você tem se perdoado sobre tudo isso que não tá rolando?
A vida adulta é difícil. O mundo cada vez mais complicado, seja economicamente, politicamente, ou outro setor qualquer. Capitalismo não é para amadores.
Você precisa entender a diferença entre ser ruim e ter um dia ruim (que às vezes podem ser 1 semana ruim).
Para fechar a conversa
Como eu disse antes, a ideia aqui é gerar consciência. Eu não tenho respostas, apesar de ter certezas (que são minhas, sugiro que procure as suas) e de saber que elas mudam.
Cada vez mais, a ansiedade toma conta e o medo de ficar para trás aparece. As pessoas gritam que você, eu, todo mundo vai perder o emprego. Algumas coisas são verdades, outras não. Não acredite em tudo, questione um pouco mais. Entenda o que está acontecendo (de verdade, além das manchetes e da Disneylândia do LinkedIn).
Alguns dias são bons, outros ruins. A brincadeira é aprender com os dias ruins e aproveitar os dias bons. Aproveita a jornada, afinal:
Ninguém nasce mestre, a gente busca ser um.



